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outubro 19, 2004
Grandes Transportadoras Queixam-se da Alitália a Bruxelas
[Fonte: Público]
Um grupo de oito grandes transportadoras aéreas europeias, onde se inclui a TAP, apelaram à Comissão Europeia (CE) para que analise o novo plano de reestruturação da companhia aérea italiana Alitália, por suspeitarem que há "violação ou contorno da lei" de ajuda do Estado às companhias aéreas. As oito companhias aéreas - onde pontuam também, entre outras, a britânica British Airways, a alemã Lufthansa, a espanhola Ibéria, a austríaca Austrian Airlines e a escandinava SAS Scandinavian - consideram que "há uma grave distorção da concorrência" e querem que a CE investigue a forma como o Estado italiano está a ajudar a Alitália a evitar a falência, suspeitando que o plano contemple subsídios encobertos de até 2,4 mil milhões de euros.
A informação foi avançada na edição de ontem do jornal britânico "Financial Times". Fonte oficial da TAP confirmou ontem ao PÚBLICO ter sido uma das signatárias da referida carta enviada à CE, mas revela um posicionamento face à eventual ajuda do governo italiano à Alitália mais moderado que o descrito pelo "Financial Times". "Na carta chama-se a atenção da CE para o plano de reestruturação da Alitália, e pede-se-lhe para acautelar que o processo esteja a ser feito com toda a transparência, de forma legítima e não discriminatória, respeitando as regras das lei das ajudas de Estado às companhias aéreas", disse ao PÚBLICO a mesma fonte.
As transportadoras aéreas, afirma o "Financial Times", alegam que a reestruturação da Alitália parece estar planeada de uma forma que "viola ou evita as regras da CE", e consideram que a atribuição de mais subsídios à companhia italiana vai "prejudicar severamente a consolidação necessária da indústria europeia do sector e constituir uma distorção ainda maior na concorrência". "Não se justifica fazer sobreviver de forma artificial uma empresa num sector afectado estruturalmente por um excesso de oferta", adianta o "Financial Times", citando as companhias aéreas. estas queixam-se ainda de que a Alitália está a praticar uma política de "expansão agressiva da capacidade", situação que consideram "espantosa", uma vez que a empresa depende de ajudas do Estado para manter a sua actividade. A Alitália, explicam, lançou um conjunto de políticas de negócio muito agressivas nos últimos meses, através da oferta de tarifas de baixo custo, com reduções superiores a 50 por cento face aos preços mais baixos das outras transportadoras.
Complexa operação financeira
As oito queixosas, avança o "Finantial Times", admitem que as "verdadeiras razões" que estão na base da reestruturação é a transferência da dívida da Alitália, no valor de 1,6 mil milhões de euros, para a AZ Service - encarregada das operações terrestres da empresa que será separada da Alitália Fly, que trata das operações aéreas - que depois indirectamente a transferiria para o Estado. Ou seja, a AZ Service assumiria a dívida total da Alitália e, posteriormente, a "holding" pública italiana Fintecna entraria no capital da transportadora aérea com uma participação de 49 por cento, o que significaria um encaixe de pelo menos outros 800 milhões de euros. O que, segundo as transportadoras "constitui claramente uma violação da condição de que mais ajuda estatal é proibida".
Recentemente, a Alitália chegou a um acordo com os sindicatos de trabalhadores, intermediado pelo Governo, que iria resultar na redução de 3700 postos de trabalho e deveria garantir à empresa financiamento para pôr em prática um plano de reorganização interna. Foi divulgado, como medida desse plano, que o Governo italiano iria auxiliar o financiamento da redução prevista com subsídios ao desemprego. A Alitália anunciou quinta-feira que obteve prejuízos no montante de 620 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, quase duplicando o valor das perdas face ao período homólogo do ano passado.
Publicado por esta às outubro 19, 2004 09:10 AM