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outubro 27, 2004

Durão desafia Parlamento

[Fonte: Jornal de Notícias]
Europa Ex-primeiro-ministro português foi a Estrasburgo dizer que não mexe no elenco de comissário Sampaio apoia voto favorável, Esquerda e maioria dos liberais votarão contra

Na votação sobre a investidura da próxima Comissão Europeia, hoje em Estrasburgo, França, o presidente designado ficará a saber se valeu a pena ter desafiado ontem o Parlamento Europeu (PE), recusando afastar Rocco Buttiglione do pelouro da Justiça e Assuntos Internos, como lhe exigiam os partidos socialista (PSE) e liberal (ALDE).

Por um lado, Durão Barroso poderá medir o êxito da sua estratégia de apostar na solidariedade política do Partido Popular Europeu (PPE) e de ilustres do Conselho Europeu, co- mo o chanceler alemão, Ger-hard Schröder, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que recomendaram o voto a favor na nova Comissão. Por outro lado, a votação permitirá medir a autoridade política do orgão parlamentar em relação às outras instituições, em particular os estados, que terão subestimado a coragem e ambição políticas de muitos eurodeputados.

Liberais votam contra

O plenário de ontem revelou a subsistência do impasse entre Durão e uma parte importante de um PE, dividido entre a aprovação e a rejeição da nova equipa. Em parte, por causa da irritação que causaram junto de muitos deputados declarações (nomeadamente sobre a homossexualidade e sobre as mães soltei- ras) proferidas por Bottiglinoni. E também devido às dúvidas sobre alegadas incompatibilidades de certas comissárias com as responsabilidades que deverão assumir.

O aceso debate que se seguiu à apresentação ontem da composição e programa da Comissão não trouxe novidades. Foi num tom veemente deixando transparecer alguma irritação e indignação (mas bastante aplaudido pela bancada do PPE), que Durão rebateu as críticas à sua alegada intransigência renovando um apelo ao sentido de responsabilidade bem como ao espírito de tolerância dos eurodeputados.

O presidente indigitado prometeu, solenemente, que a sua Comissão "será a mais avançada em matéria de não discriminação e Direitos do Homem". Mas num tom de desafio causador de uma certa crispação no hemiciclo, denunciou "as críticas ideológicas" dos sectores do PE que já haviam votado contra ele quando da sua designação em Julho, lamentando que alguns dos que o haviam apoiado estejam agora prontos a votar ao lado "dos extremistas, que não querem a Europa". "A cultura europeia também é cultura do compromisso", acrescentou, antes de um último apelo ao voto positivo "a bem da Europa".

No final da reunião no PE, os eurodeputados da (ADLE) reuniram-se e decidiram maioriatariamente pelo voto contra a comissão (50 pelo não, 23, entre os quais o líder Graham Watson pelo sim e 5 abstiveram-se). Neste quadro, nada está adquirido no que respeita à votação de hoje no Parlamento.

"Arrogante e provocador"

Quanto aos eurodeputados portugueses, os eleitos pelo PS, PCP e BE consideraram "arrogante" e "provocatória" a actuação de Durão Barroso no processo de investidura da nova Comissão Europeia, enquanto PSD e CDS/PP enalteceram a atitude do ex-primeiro-ministro.

Em Lisboa, o presidente da República considerou "importante" que a Comissão Europeia "passe na votação" do Parlamento Europeu e manifestou a confiança de que "um equilíbrio vai ser encontrado". Jorge Sampaio manifestou-se "optimista" de que a equipa de Durão será aprovada hoje.

Publicado por esta às outubro 27, 2004 12:28 PM