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outubro 19, 2004

Durão confiante na investidura da futura Comissão Europeia

[Fonte: Público]

Durão Barroso está confiante na investidura da futura Comissão Europeia, mas recusou voltar a manifestar a sua confiança no italiano Rocco Buttiglione, que aproveitou o fim-de-semana para proferir novas afirmações polémicas, chegando mesmo a considerar-se vítima de uma "inquisição" anti-cristã.

O futuro presidente do executivo comunitário "mantém-se confiante que, no final deste processo, a sua equipa vai receber a aprovação do Parlamento Europeu", afirmou Pia Ahrenkilde, porta-voz de Durão Barroso.

Questionada sobre se o ex-primeiro-ministro português mantém a intenção de confiar a Buttiglione a pasta da Justiça e Assuntos Internos, a porta-voz limitou-se a afirmar: "Durão Barroso não fará comentários sobre os comissários a nível individual".

O Partido Socialista Europeu, a segunda maior força no Parlamento de Estrasburgo (onde conta com 200 parlamentares) ameaçou votar contra a investidura da comissão, na sessão de dia 27, se Durão Barroso não alterar a pasta atribuída ao conservador italiano.

Dias antes, a comissão parlamentar de Liberdades Civis, num gesto inédito, deu parecer negativo à nomeação de Buttiglione para aquele cargo, numa votação em que a esquerda se uniu para sancionar as declarações demasiado conservadoras do italiano que classificou a homossexualidade como "um pecado" e disse que a principal função do casamento é a de permitir às mulheres ter filhos e aos homens protegê-los.

Reagindo a esta votação, Durão Barroso veio a público reafirmar a sua "confiança na totalidade dos comissários" — um gesto que irritou os socialistas europeus e ameaçou extremar ainda mais as divisões entre o Partido Popular Europeu (a maior família europeia) e os grupos parlamentares de esquerda.

Para aquecer ainda mais os ânimos, o conservador italiano deu este fim-de-semana uma entrevista ao "Corriere della Sera" em que reafirma as suas posições e diz estar a ser vítima de uma "campanha de ódio" e de uma nova "Inquisição" anti-cristã.

O político italiano foi já hoje secundado pelo cardeal italiano Renato Raffaele Martino que criticou o que diz ser uma "inquisição secular" contra as posições católicas. "Qualquer um pode insultar e atacar livremente os católicos que ninguém diz nada. Mas se o fizer a outras confissões verá o que lhe acontece", acusou o prelado.

Reagindo a estas novas declarações, o presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell, afirmou que "os insultos não são resposta numa discussão democrática". "Qualquer um é livre de dizer aquilo em que acredita, mas estes comentários apenas vão reforçar a opinião do Parlamento", afirmou o socialista espanhol numa referência ao veto da comissão parlamentar.

Dentro de três dias, Durão Barroso vai encontrar-se com os líderes dos grupos políticos europeus, esperando-se para essa altura uma resposta aos pareceres do Parlamento. Além do italiano também o socialista húngaro Laszlo Kovacs foi considerado pouco qualificado para a pasta da Indústria e Energia, numa retaliação dos conservadores europeus ao parecer negativo dado a Buttiglione.

Seis dias depois do encontro, o Parlamento Europeu vota a investidura da nova Comissão Europeia que, se for aprovada, entra em funções quatro dias depois.

Publicado por esta às outubro 19, 2004 09:11 AM