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outubro 23, 2004

Durão Barroso Está Próximo de Obter a Maioria no PE

Fonte: Público


O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, reuniu-se ontem num castelo belga com a sua futura equipa para elaborar uma estratégia visando a investidura do Parlamento Europeu (PE) na próxima quarta-feira. A comissária indigitada para a Concorrência, a holandesa Neelir Kroes, disse à AP que a expectativa do grupo era "muito positiva".

A nova comissão apenas tem garantido o apoio do PPE (democratas-cristãos e conservadores) e dos "soberanistas". Segundo a versão online da revista alemã "Focus", Barroso teria dito ao chanceler alemão Gerhard Schroeder contar com 363 votos, o que seria suficiente caso haja abstenções. O PE tem 732 membros.

Círculos alemães dizem que Barroso tem uma curta vantagem e que o resultado dependerá dos sociais-democratas alemães, pressionados por Schroeder a apoiar a Comissão, e dos liberais-democratas, que querem uma aliança com os democratas-cristãos e fazer de "king makers".

A querela entre Barroso e o PE acabou por se centrar no italiano Rocco Bittiglione, após as suas declarações sobre a homossexualidade e o papel das mulheres. Depois de ter encarado retirar-lhe uma parte das competências, Barroso escolheu o confronto, limitando-se a "enquadrar" algumas áreas, como as políticas de não discriminação e os direitos humanos, num grupo de comissários por ele presidido. Para os socialistas, esta medida é "mera cosmética". Na quinta-feira, o presidente da Aliança dos Democratas e dos Liberais (ADLE), Graham Watson, sugeriu que Buttiglione mudasse de pelouro ou renunciasse ao cargo. Em vez disso, ele escreveu uma carta de justificação.

Um voto negativo dos eurodeputados seria uma novidade absoluta e abriria uma crise análoga à da demissão colectiva da Comissão presidida pelo luxemburguês Jacques Santer, em 1999.

A imprensa italiana é muito crítica em relação a Buttiglione. Para "La Repubblica" (esquerda), ele deveria demitir-se. Escreve o conservador "Corriere della Sera", de Milão: "É o baile de Buttiglione. A pantomínia do mais cultivado e vaidoso homem político italiano, indeciso entre as suas próprias ideias e a sua própria cadeira. Por isso está disposto à mais arriscada das mudanças: o desmentido confirmativo." Para "La Stampa", de Turin, as suas desculpas são "tardias e humilhantes." Terá falta de credibilidade "para uma posição tão importante".

Publicado por esta às outubro 23, 2004 04:25 PM