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outubro 23, 2004
Competitividade Agrícola Cresce a Um Ritmo Oito Vezes Superior à Media Europeia
Fonte: Público
A competitividade das explorações agrícolas portuguesas cresceu a um ritmo oito vezes superior à média da União Europeia (UE), no período que vai de 1992 a 2000 e com base em cálculos expressos em paridades de poder de compra. Esta evolução positiva do sector foi conseguida essencialmente à custa de um processo de ajustamento estrutural (mais superfície utilizada por unidade de trabalho agrícola), porque a competitividade dos sistemas de agricultura praticados caiu. Os valores apurados mostram que a competitividade das explorações portuguesas conheceu no período uma variação de 11,9 por cento, enquanto a média da UE-15 ficou-se por 1,5 por cento.
O valor apurado para Portugal compara com os 14,0 por cento de Itália, claramente o melhor resultado, os 13,1 da Suécia e os 11,3 por cento da França. Entre os valores mais baixos, contam-se as quebras de 35,2 por cento no Reino Unido, e de 11,5 na Grécia e na Irlanda. A Espanha regista um indicador muito próximo da média europeia (2,0 por cento).
Estas conclusões constam do livro "Rendimento e competitividade
agrícolas em Portugal - evolução recente, situação actual e perspectivas futura", que vai ser apresentado, na segunda-feira, no Congresso da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que se realiza em Santarém. O trabalho é da responsabilidade de uma equipa coordenada por Francisco Avillez, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.
"Num balanço global, parece-me importante salientar que se verifica uma evolução bastante favorável do sector, em clara convergência com a União Europeia", afirmou ao PÚBLICO Francisco Avillez. "Mas há duas questões que importa não esquecer: por um lado, "a distãncia que nos separa das médias da UE continua a ser grande, uma vez que partimos de um patamar muito baixo"; por outro, "os níveis alcançados foram muito suportados pelo processo de ajustamento estrutural entretanto verificado e não pela melhoria dos sistemas agrícolas praticados" acrescentou.
O problema, no entender dos investigadores, é que a agricultura portuguesa não conseguiu libertar-se da tendência para a manutenção de uma maior aposta nos produtos que são os que mais subsídios recebem no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) - caso dos cereais, da carne e do leite - muitas vezes em condições de solos, clima e instalação que não são as mais favoráveis. Como entretanto se reduziram os níveis de suporte por via das ajudas nesta gama de produtos, isso acabou por afectar a competitividade desses mesmos sistemas de agricultura. "Do ponto de vista da competitividade por hectare, o que mais se degradou foi o nível de suporte, por via dos preços de mercado. Houve ganhos de produtividade, mas não foram compensados pelos níveis de suporte", afirmou Francisco Avillez.
Nem tudo são rosas no trabalho que será apresentado depois de amanhã em Santarém. Apesar da convergência, chegamos a 2000 com grandes diferenças face à União Europeia e a explicação continua a ser o factor estrutural. "Apesar de se ter registado uma tendência de convergência, continuamos com um rácio área disponível/unidade de trabalho agrícola que é metade da média da da União Europeia, apesar de nalguns produtos conseguirmos produtividades próximas de agriculturas eficientes como francesa e a alemã", sustentou Francisco Avillez, que refere também como problemas estruturais uma melhoria "ínfima" do nível de qualificação dos agricultores e a questão crónica da falta de rejuvenescimento..
O trabalho que será apresentado no congresso da CAP analisa também a forma como se decompôs a competitividade das explorações agrícolas no triénio 1998/2000 por regiões agrícolas. Alentejo e Ribatejo e Oeste continuam a ser as zonas com indicadores mais favoráveis, enquanto Entre-Douro e Minho e Trás-os-Montes surgem na cauda da tabela.
O estudo mostra, também, que o rendimento das explorações agrícolas conheceu um considerável aumento no período em análise, praticamente duplicando de 2000 para 4000 euros por unidade de trabalho agrícola. A análise comparativa com os restantes países da União Europeia em paridades de poder de compra mostra uma variação de 21 por cento, face a uma média dos 15 de 3,4 por cento. Mesmo assim, a distância ainda é considerável face aos padrões europeus. "Apesar da convergência verificada entre a componente agrícola do rendimento dos produtores agrícolas portugueses e dos restantes estados-membros da UE-15, o nível de rendimento agrícola alcançado no triénio "1999" em Portugal era, apenas, de menos de 1/3 do correspondente nível médio comunitário", afirma-se no livro.
Publicado por esta às outubro 23, 2004 04:36 PM