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outubro 14, 2004
CDS Tem Dúvidas Sobre Adesão da Turquia à UE
[Fonte: Público]
O CDS/PP manifestou ontem diversas dúvidas quanto à adesão da Turquia à União Europeia, remetendo, porém, uma tomada de posição definitiva para os próximos dois meses, após a realização de um amplo debate público.
"A adesão da Turquia comporta consequências não negligenciáveis do ponto de vista civilizacional, cultural, demográfico, económico, social, de equilíbrio estratégico e de segurança", declarou ontem António Pires de Lima, vice-presidente do CDS, em conferência de imprensa, na Assembleia da República.
Pires de Lima enumerou as "principais preocupações" do CDS relativamente a esta questão, as quais derivam da localização geográfica e respectivas fronteiras externas da Turquia, da sua elevada população, dos "inevitáveis" fluxos migratórios e do facto de se tratar de um país islâmico.
"A Turquia na Europa é um assunto que coloca problemas e uma Europa com a Turquia não mais será a mesma", afirmou Pires de Lima, reconhecendo, no entanto, que aquele país tem dado "passos lentos, mas significativos na procura da convergência com os critérios europeus" em matéria de direitos humanos, e realçando a sua integração na NATO, enquanto "melhor aliado ocidental no mundo islâmico".
Referindo que a maioria dos partidos democrata-cristãos europeus têm "dúvidas sérias e consistentes quanto à entrada da Turquia", Pires de Lima anunciou a realização de um "debate aberto e sem posições definidas" no seio do CDS, não excluindo nenhuma hipótese, nem mesmo a de um referendo.
Até ao final do mês de Novembro, o CDS pretende promover quatro debates sobre a possível adesão da Turquia, sendo o primeiro realizado no âmbito do grupo parlamentar e o segundo organizado em parceria com a Juventude Popular. Os restantes dois decorrerão em Lisboa e no Porto.
Pires de Lima fez questão de sublinhar que esta iniciativa "não significa qualquer contradição com a posição de realismo e prudência do Governo" quanto a esta questão. O vice-presidente do CDS aproveitou também a ocasião para repreender a oposição: "É verdadeiramente estranho que, no nosso país político, se discutam tantas irrelevâncias e não se debata, como deve ser, um facto de extraordinário alcance", considerou.
Publicado por jpdias às outubro 14, 2004 06:27 PM