« Liberais Europeus Pedem Novo Gesto a Durão Barroso | Entrada | Ue, Barroso: avremmo più problemi con un rimpasto dell'esecutivo »

outubro 26, 2004

As Vantagens e Os Riscos do Euro Forte

[Fonte: Público]

O euro evolui actualmente ao seu mais alto nível desde há oito meses, um movimento positivo sobretudo para os países da zona euro, já que alivia, de facto, a sua factura petrolífera. Mas este movimento também apresenta riscos a médio prazo para o crescimento europeu.
Enquanto os preços do crude ultrapassam nas últimas semanas recordes históricos, os economistas prevêem que o petróleo caro associado a um euro forte apresente riscos inflacionistas. Os responsáveis europeus e americanos rivalizam nas propostas pacificadoras sobre o impacto moderado, na sua opinião, da subida dos preços do petróleo na economia mundial. Mas para Kamal Sharma, economista no banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, "num período de pausa do crescimento, se as pressões inflacionistas começassem a pesar sobre a economia [europeia], isso poderia convencer o BCE", o Banco Central Europeu, que seria assim obrigado a subir as suas taxas de juro. "Isso seria negativo para o euro", preveniu este analista. Esta opinião é partilhada por Audrey Childe-Freeman: um euro forte, ao aliviar a factura petrolífera, "pode ajudar a manter a inflação sob controlo", explica esta economista do Banco Canadiano Imperial do Comércio (CIBC). "Mas uma outra maneira de ver as coisas é a de que um preço do petróleo elevado é um travão ao crescimento. Além disso, um euro forte pesa sobre as exportações europeias, num ambiente em que as exportações estão enfraquecidas pelo abrandamento da economia mundial", acrescentou. "Tudo isto não é bom para a economia europeia", concluiu esta economista. Continuando o seu movimento ascendente, o euro trocou-se ontem entre um mínimo de 1,2727 dólares e um máximo de 1,2829 dólares, o valor mais alto desde Fevereiro de 2004, quando foi fixado o máximo histórico nos 1,2930 dólares.

Expectativa americana

Primeiros consumidores de petróleo no mundo, os EUA foram atingidos em cheio pela subida dos preços do crude. O presidente da Reserva Federal Americana, Alan Greenspan, mostrou-se pacificador, na semana passada, considerando que a subida dos preços do petróleo pesará menos na economia mundial do que os choques petrolíferos dos anos 70, mesmo desejando preços mais razoáveis. Os elevados preços do petróleo constituem um fenómeno "importante" com repercussões por enquanto "limitadas", sublinhou por seu lado José Manuel Gonzales-Paramo, membro do directório do BCE. Mas os economistas mantêm-se cépticos, mesmo se as suas dúvidas, neste momento, pesam mais sobre o petróleo do que sobre o euro. "O dólar foi minado por factores cíclicos que sugerem que a economia americana está a entrar no seu segundo período de abrandamento do ano por causa do petróleo", sublinhava Derek Halpenny, economista no Bank of Tokyo-Mitsubishi. "As possibilidades de ver o dólar recuar mais acentuam-se", notavam os analistas do Commerzbank, lembrando que foram os indicadores avançados - o índice de confiança dos consumidores americanos da Universidade de Michigan e o índice do Empire State da actividade industrial na região de Nova Iorque - que forçaram as últimas quedas do dólar. Esta opinião é partilhada pelos especialistas do Banco Standard Chartered: "Pensamos que o dólar começou a acentuar a sua descida generalizada e há fortes hipóteses de um movimento brutal próximo do final do ano", indicaram, lembrando que o euro se valoriza regularmente todos os finais de ano. No fim de 2002 a divisa europeia ganhou 12 por cento e, no fim de 2003, 10 por cento. "Se for este o caso este ano, isso será sobretudo na margem da sua evolução desde o início do ano", o que quer dizer à volta de nove por cento, precisaram.

Publicado por esta às outubro 26, 2004 05:09 PM