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outubro 28, 2004

Ameaças e rejeição começaram cedo

[Fonte: Jornal de Notícias]

Dissabores O futuro presidente da Comissão foi confrontado com opções que fez para a sua equipa

As audições aos novos comissários nas comissões especializadas do PE, entre Setembro e Outubro, trouxeram novos dissabores a Durão Barroso. Os partidos de Esquerda foram multiplicando as ameaças de rejeição da sua equipa. Verdes e comunistas confirmaram bem cedo que votariam contra a Comissão, por questões ideológicas.

Quanto ao PSE, condicionou o seu apoio à obtenção de garantias suplementares sobre os cinco membros mais problemáticos da equipa, que incluíam a holandesa Neelie Kroes, a dinamarquesa Mariann Fischer-Boel, a letã Ungrida Udre.

Os percursos profissionais e de vida das duas primeiras parecia configurar uma incompatibilidade com as funções para que foram designadas por Durão Barroso. Sobre a terceira e também sobre Kroes pairava a suspeita de comportamentos menos correctos configurando crimes, suspeita nascida de inquéritos policiais efectuados nos respectivos Estados mas sem resultados concretos.

A inexistência de provas foi repetida à saciedade por Durão quando se explicou perante os detractores destas comissárias, por intermédio de membros da sua equipa ou de viva voz.

A "ovelha negra"

O caso mais grave, aquele que determinaria, afinal, o abortar da Comissão Barroso foi protagonizado pelo ex- ministro dos assuntos europeus de Silvio Berlusconi, amigo e conselheiro do Papa - Rocco Buttiglione, o primeiro comissário indigitado a ser "chumbado" pela comissão parlamentar com a qual era suposto trabalhar em conjunto durante os próximos cinco anos, a das liberdades, justiça e assuntos internos.

As suas repetidas declarações politicamente incorrectas sobre a homossexualidade e o papel das mulheres na sociedade, directamente inspiradas pela doutrina da Igreja católica, suscitaram a maior indignação nas hostes parlamentares, extravasando a tradicional fractura esquerda-direita.

As desculpas que apresentou posteriormente, forçado por Durão Barroso, revelaram-se inúteis para aplacar a ira de muitos eurodeputados. Muitos mais do que pensava o presidente designado, que esperou, quase até ao fim do processo de investidura pelo PE, pelo apoio daqueles que, em Julho, o haviam eleito.

Foi baseado neste pressuposto errado, que Durão recusou retirar a confiança política a Buttiglione, insistente e teimosamente defendido pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Publicado por esta às outubro 28, 2004 03:22 PM